Juros e encargos de grandes redes de lojas podem virar armadilha

Manaus – Pagar até perder de vista pode ser uma armadilha para o consumidor e virar uma bola de neve nas contas da família. As principais lojas varejistas de Manaus praticam juros de até 166,2% ao ano ou 8,5% ao mês para compras parceladas em até 11 vezes.

Um fogão cinco bocas que custa na loja R$ 759 pode ter metade do valor acrescentado, se parcelado em 11 vezes, e passar a custar no final  R$ 1.104,18. As parcelas de apenas R$ 100,38 são atraentes o que faz muitos consumidores optarem pelo longo prazo.

É o caso da doméstica Amanda Oliveira, 40, que prefere comprar produtos como televisão, fogão ou geladeira a prazo. Na última  compra, um televisor para o filho ela dividiu em 12 vezes. “Saiu por quase o mesmo preço de a vista”, disse. Ela conta que pesquisa antes qual o menor valor final para ver onde vale a pena pagar parcelado. Agora, a doméstica pesquisa um fogão para a sogra. “Meu marido tem o cartão de uma loja e o meu filho de outra. Vejo qual oferece melhor preço final”, disse.

As empresas que parcelam cobram os juros para remunerar o capital que não foi dado na hora, explica o economista Marcos Evangelista. “A taxa cobrada muitas vezes fica acima da inflação e o consumidor, se não ficar atento, quando termina de pagar, muitas vezes paga um produto e meio”, alerta.

As taxas de juros praticadas pelas lojas de Manaus estão bem acima da inflação (Índice de Preços ao Consumidor – IPCA) que em 2016 chega a 9,32% em 12 meses e 0,78% em maio.

Na CityLar, os planos em até 12 vezes nos cartões da loja possuem juros de 1,27% ao mês e 16,33% ao ano. Um fogão cinco bocas da Esmaltec custa R$ 432 à vista, ou em 14 vezes de R$ 39,90. No final de mais de um ano pagando, o consumidor vai desembolsar R$ 126,60 a mais com os juros.

Os juros praticados pela Novo Mundo estão visíveis nos cartazes da vitrine, 1,96% ao mês e 26,63% ao ano. A loja oferece a TV LED de 32 polegadas por R$ 1.129,00 à vista ou 12 de R$ 112,90. A oferta é atraente, mas o consumidor precisa atentar que vai pagar R$ 1.354,8, na verdade, pelo produto, R$ 225,8 a mais.

Já na Bemol, os juros chegam a 8,5% ao mês e 166,2% ao ano. O consumidor que preferir comprar uma geladeira divido em 11 vezes corre o risco de pagar metade do valor do produto somente de juros. A geladeira que custa R$ 1.039 à vista passa a custar R$ 1.511,51 no total a prazo, em parcelas de R$ 137,41.

Para Evangelista, a questão cultural também pesa na escolha da forma de pagamento. “O consumidor fica acostumado a comprar no crediário e não atenta que comprando à vista o desembolso será menor”, destaca.

O casal Talita dos Santos, 23, e Roberto Braga, 22, prefere quitar na maioria das vezes por conta dos altos juros cobrados. “Gosto de pagar à vista porque sempre dão desconto”, explica Talita.

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