Com greve, itens têm até 100% de reajuste nas feiras de Manaus

Feirantes reajustaram valor da batata, tomate e cebola que devem ser encontrados para consumo somente até esta quarta-feira, se perdurar o movimento de paralisação dos caminhoneiros

Da Redação

Manaus – Passados nove dias de greve dos caminhoneiros que impedem o abastecimento regular de produtos hortifrutigranjeiros, as feiras de Manaus já reajustaram itens em 100%, como apurou a reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC). Segundo os feirantes, produtos devem sumir das bancadas em questão de dias. “O que ainda tiver vai subir mais de 100%”, diz o feirante Valcir Araújo.

Preço da saca do tomate que custava R$ 70 variou para R$ 100 (Foto: Sandro Pereira)

A saca da cebola que estava sendo vendida a R$ 70 já é comercializada a R$ 150. A saca do tomate variou de R$ 70 a R$ 100 e a batata inglesa, de R$ 100 a R$ 200. O diretor do Sindicato dos Feirantes de Manaus, Ednaldo Feitosa, alerta que mesmo com o valor alto, esses itens devem ser encontrados pelos consumidores somente por mais dois dias (se a situação não normalizar). “Se esgotar, não tem como repor essas mercadorias, principalmente os perecíveis, que a gente é dependente do Sul, vai haver falta. Acredito que em dois dias esses três itens (cebola, batata e tomate) vão acabar logo”.

De acordo com o Sindicato dos Caminhoneiros do Amazonas, mais de 40% da categoria segue parada, mesmo com as entidades nacionais afirmando que aceitara as medidas anunciadas pelo governo federal na noite de domingo (27).

Na semana passada, a RDC apurou que a situação dos supermercados era mais confortável. O superintendente da Associação Amazonense de Supermercados (Amase), Alexandre Zuqui, estimou que os estoques duram por mais dez dias. “Por estarmos longe de centros de abastecimentos, acabamos comprando mercadorias com estoque, por isso ainda não afeta”, disse. Ele frisou, no entanto, que a continuidade do protesto afetaria o segmento.

Segundo Zuqui, as quatro redes nacionais e dez regionais que atuam em Manaus trabalham com estoques de pelo menos 15 dias e de 12 dias para os itens perecíveis, de acordo com a capacidade de cada supermercado. O superintendente também afirmou que o movimento nas redes estava dentro da normalidade. Ainda assim, houve casos de redes que limitaram o consumo por cliente, em Manaus.

Pesquisa

Levantamento da Ticket, fornecedora do serviço de alimentação, ouviu mais de 5 mil usuários da marca no País, incluindo o Amazonas, sobre qual foi a principal reclamação quanto o efeito da paralisação dos caminhoneiros. Para 56% das menções, a alta nos prelos de verduras e legumes lideram a preocupação dos clientes, de frutas, carnes e ovos. A dificuldade não parece ter afetado itens industrializados, como comida congelada e biscoitos, por exemplo, que quase não foram citados.

Para 45,5% dos pesquisados, o estoque de mantimentos é inexistente ou durará uma semana. Ainda de acordo com a Sondagem Ticket, 51,6% dos trabalhadores ouvidos pela pesquisa já procuram formas alternativas para se locomover sem a dependência do transporte público.

Por último, 74% dos entrevistados reclamaram da ausência de planos emergenciais das empresas, em caso de prolongamento da crise.

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