Vendiam consórcios como se fossem imóveis e veículos à pronta-entrega

De acordo com a Polícia Civil, o intuito da operação era desfazer uma quadrilha que atuava em uma empresa de fachada. Eles ofereciam imóveis, carros e motocicletas em redes sociais, sites e aplicativos. Duas pessoas foram presas.

Stephane Simões contato@jornaldezminutos.com.br

O supervisor Felipe Ferreira de Souza, 34, e a vendedora Francielle Barros de Souza, 23, foram presos, na manhã de ontem, durante a operação Bridão, em uma empresa que atuava com fraudes na venda de imóveis por meio de consórcio, no bairro Parque 10, zona centro-sul. Eles ofereciam imóveis e automóveis para venda, informando que o comprador receberia a compra no prazo de 30 dias, mas, na verdade, as vítimas estavam comprando uma carta de consórcio.
Segundo o delegado titular do 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Henrique Brasil, o intuito da operação era desfazer uma quadrilha que atuava em uma empresa de fachada. Eles ofereciam imóveis, carros e motocicletas em redes sociais, sites e aplicativos, como Facebook e OLX. “Eles ludibriavam seus clientes, a partir do momento em que eles vendiam esse material. Quando a pessoa imaginava que estava adquirindo esse tipo de imóvel, na verdade, estava adquirindo uma carta de consórcio”, explicou.
No momento em que a polícia realizava a operação, 18 pessoas estavam fazendo treinamento para atuarem como vendedores. Conforme o delegado, no treinamento, os vendedores eram informados que não poderiam dizer aos clientes que eles estavam vendendo consórcio.

Atuação

A quadrilha atuava de duas maneiras. Eles usavam fotos de casas de outros Estados, publicavam como se fossem aqui da capital, oferecendo para venda. A outra forma de atuação era buscar imóveis no Estado, que estavam, de fato, à venda. Eles entravam em contato com o vendedor do imóvel e, em seguida, levavam pessoas interessadas em comprar a casa e apresentavam o imóvel. Depois a quadrilha fazia a falsa venda do imóvel.

“O Consórcio Jockey existe no Brasil todo e tem uma empresa específica aqui no Estado que era representada por esta outra empresa. Inicialmente, ela funcionava no Centro da cidade. Em determinado momento, eles se mudaram, montaram uma loja no Parque 10, e iam montar outra no bairro Cidade de Deus”, disse o delegado.

Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de prisão, além de busca e apreensão dos materiais e condução coercitiva das pessoas que estavam no local. No total, outros 11 funcionários foram conduzidos para a delegacia para serem ouvidos.

“Enquanto estávamos cumprindo os mandados, outras três pessoas foram lá para fechar negócio. Conversando com eles, fomos informados que eles iriam pagar a entrada e com 30 dias receberiam o imóvel, sendo que, na verdade, eles estavam adquirindo uma carta de consórcio”, acrescentou o delegado.

Nove Boletins de Ocorrências (BOs) foram registrados no 23º DIP. Das vítimas que registraram a denúncia, metade afirmou que os consórcios teriam sido vendidos por Francielle e todos os contratos foram assinados por Felipe, informou o delegado titular. “É incalculável o número de vítimas. No 23º DIP temos nove vítimas, mas, conforme estamos analisando, provavelmente, a gente tenha mais de 100 pessoas”, afirmou.
As vítimas terão que entrar em contato com a empresa que a quadrilha representava para pedir ressarcimento.

VÍDEOS