Testemunha de chacina denunciou ameaça à polícia antes de morrer

Familiares de Edvania Souza dos Santos informaram que ela comunicou à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros sobre as ameaças de morte que ela vinha sofrendo, mas não houve registro de Boletim de Ocorrência (BO)

Édria Caroline

Manaus – Familiares de Edvania Souza dos Santos, 19, única testemunha de uma chacina que ocorreu, em fevereiro de 2015, em Manaus, assassinada nesta semana, informaram que ela comunicou à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) sobre as ameaças de morte que ela vinha sofrendo.

De acordo com os familiares, que pediram para não ser identificados, por medo de represálias, Edvania passou a receber ameaças após participar da primeira audiência na Justiça sobre os crimes ainda em 2015. “Ligaram para a mãe dela dizendo que, se ela comparecesse a outra audiência, ela iria morrer. Foi quando ela não compareceu mais em nenhuma das audiências”, informou o familiar à REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO.

Edvania Souza dos Santos, 19, sofria ameaças de morte e não tinha ido a duas últimas audiências judiciais por medo de morrer. (Foto: Reprodução/Facebook)

Este mesmo familiar disse, ainda, que após as ameaças, Edvania informou à DEHS sobre as ameaças de morte, mas não houve registro de Boletim de Ocorrência (BO). “Ela disse aos policiais que estava sofrendo ameaças de morte, mas não foi orientada sobre o que fazer pra se proteger”, relatou. “Agora estamos com medo, porque quem matou ela pode vir atrás de nós. A família toda está desesperada, sem saber o que fazer”, desabafou o familiar.

Em fevereiro de 2015, o irmão, o namorado e dois amigos de Edvania foram mortos em uma casa , no bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus. Os criminosos disseram que eram policiais, invadiram a casa e fizeram os disparos. Ela conseguiu se esconder na cozinha. Na época, quatro pessoas foram presas pelos assassinatos. Edvania foi vista com vida, pela última vez, após atender a um telefonema, no último sábado (24). Na ocasião, a mãe dela informou que um carro estava rondando a casa da família.

Proteção

De acordo com a Lei nº 3.309 de 12 de novembro de 2008, a solicitação de inclusão no programa poderá ser encaminhada pela vítima, por representantes do Ministério Público (MP), pela autoridade policial que conduzir a investigação policial, pelo juiz competente para a instrução do processo criminal ou por órgãos públicos e entidades com atribuições de defesa dos Direitos Humanos.

Mas, de acordo com a coordenadora do Provita-AM, Sarah Piranjy, essa solicitação de medida protetiva deve ser pedida pela pessoa que que sentir ameaçada. “A inclusão da vítima no programa é feita a partir do momento em que a mesma manifesta a vontade de ser incluída, seja em uma delegacia, ao juiz ou promotor, mas deve partir da vítima”, informou a coordenadora.

Sarah explicou também que o Provita é muito rígido, por isso a manifestação tem que partir da vítima. “Entre as medidas protetivas incluem tirar a vítima do seu domicílio, cortar qualquer tipo de contato por telefone ou rede social e, às vezes, priva até o direito de ir e vir da vítima”, explicou.

Em nota, a Polícia Civil (PC) informou que, segundo o delegado titular da DEHS, Juan Valério, os “pedidos de proteção a vítimas e testemunhas fica a critério da Justiça, por meio do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM)”.

Além disso, a PC informa que “no que concerne as investigações em torno do caso de Edvania Souza dos Santos, 21 anos, encontrada morta na manhã de quarta-feira (28), na Avenida das Flores, bairro Nova Cidade, zona norte, o delegado destaca que as equipes da DEHS já deram inicio as diligências para elucidar o crime”, finaliza.

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