Movimentos defendem mulher agredida por vizinho, em Manaus, e cobram resposta

Denunciando o caso como homofobia, mulher afirma que teve fraturas no rosto e está impedida de trabalhar. Grupo de defesa acompanhou a vítima na delegacia

Stefane Simões

Manaus – Representantes de movimentos em defesa da mulher estiveram, na manhã desta sexta-feira (2), no 18° Distrito Integrado de Polícia (DIP), para acompanhar a instrutora de informática Mary Lúcia Vasconcelos, 45, que foi agredida pelo vizinho e denunciou o caso como homofobia, na última segunda-feira (29). Segundo elas, a intenção é fazer uma pressão para que o processo seja agilizado.

Para a conselheira do Conselho Estadual do Direito da Mulher, Francy Guedes, a luta é para que o direito das mulheres seja mantido e preservado. “O Governo diz que o Estado possui uma rede de proteção para as mulheres, mas, em uma situação como essas, podemos ver que esta rede está fragilizada”, disse.

Vítima afirma que está aguardando na fila do Sisreg pela liberação de uma cirurgia na face, pois sofreu fraturas no rosto (Foto: Sandro Pereira)

Mesmo com a presença dos movimentos fazendo pressão, a conselheira afirma que alguns casos ainda ficam impunes. “Não é a primeira vez que ele a agride. Na primeira, ele pagou R$ 100 e foi liberado, pois foi tratada como uma lesão corporal simples. Desta vez, nós queremos que saia da agressão leve para a grave, pois ela (a vítima) está impossibilitada até de trabalhar”, afirmou.

A vítima afirmou que está aguardando na fila do Sistema de Centrais de Regulação (Sisreg) pela liberação de uma cirurgia na face, pois sofreu fraturas no rosto. “O meu rosto está quebrado em quatro pedaços, e, por conta disso, eu não posso falar muito e sinto dificuldades até para beber água”, afirmou Mary.

O caso

Mary Lúcia, que é homossexual, afirma ter sido agredida pelo vizinho, com um soco no rosto, no momento em que passou pela frente da casa do suspeito, no bairro Colônia Terra Nova, zona norte de Manaus. Ao tentar registrar Boletim de Ocorrência (B.O) como homofobia, na Delegacia da Mulher, a instrutora disse que não conseguiu registrar o crime de ódio, sendo registrado apenas como lesão corporal com injúria.

O suspeito, segundo Mary, é um vizinho que, em outras ocasiões, já demonstrou ações de ódio em relação a orientação sexual da instrutora. Ela relatou que, no final da tarde de segunda-feira (29), ao tentar desvirar a tela do smartphone, o vizinho achou que Mary estava o gravando, quando ele estava sentado próximo ao local onde ela estava.

Era comum a vizinha ser agredida verbalmente pelo suspeito, segundo informou Mary. “Sim, já me chamou de machuda, aberração. Disse que ia me estuprar para ver eu virar mulher”, contou. Segundo ela, antes das agressões o homem disse: “Quer ser homem? Vai apanhar feito homem então”.

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