Delegada diz que PMs plantaram arma para simular troca de tiros

Resultado do laudo de comparação balística do adolescente confirmou que o projétil encontrado no corpo dele saiu da arma do PM Erivelton

Filipe Távora

A arma encontrada no local onde Hering da Silva Oliveira, 15, foi morto com um tiro nas costas, no mês passado, foi plantada por policiais militares para simular a troca de tiros com o adolescente e outros jovens envolvidos no caso. A informação foi dada pela delegada titular da 4ª Seccional Oeste, Rita Tenório, ontem à tarde, durante coletiva de imprensa, onde também foi revelado que os PMs pediram um ‘cabrito’, que no jargão popular é conhecido como uma arma plantada.

O secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), coronel Amadeu Soares, divulgou o resultado do laudo de comparação balística do adolescente e o exame confirmou que o projétil encontrado no corpo da vítima saiu da arma do policial militar Erivelton de Oliveira Hermes. O resultado do laudo feito pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) foi divulgado na sede do órgão, situada no Shopping ViaNorte, Avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus.

Hering foi morto no último dia 25 de outubro, na Minivila Olímpica do bairro Santo Antônio, zona oeste de Manaus. O adolescente foi morto com um tiro nas costas, durante o atendimento de uma ocorrência da Polícia Militar (PM).

Resultado do laudo de comparação balística do adolescente confirmou que o projétil encontrado no corpo dele saiu da arma do PM Erivelton (Foto: Reprodução)

Conforme um tio do adolescente, o industriário Raimundo Nonato Lima, 45, Hering estava no campo de futebol da Minivila Olímpica, quando, por volta das 16h, o adolescente foi surpreendido, na companhia de alguns colegas, pela presença de policiais militares.

A 5ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), segundo o industriário, havia recebido a denúncia de que alguns homens armados estavam no campo. Com base no relato dos moradores, o tio da vítima disse que, quando os PMs se aproximaram, os garotos se assustaram e correram. “E nisso meu sobrinho pegou um tiro nas costas”, disse Raimundo.

De acordo com o delegado-geral-adjunto da Polícia Civil (PC), Ivo Martins, quatro PMs chegaram à ocorrência, no dia do crime, em duas viaturas.

O adolescente chegou a ser socorrido pelos policiais militares e levado ao Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) do São Raimundo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

No dia 28 de outubro, um laudo residuográfico, realizado pelo DPTC, constatou que não havia a presença de pólvora nas mãos do adolescente, o que eliminou o testemunho dado pelos PMs de que o jovem tinha efetuado disparos contra eles.

Presos

No dia 30 de outubro, os policiais Erivelton de Oliveira Hermes e Francisco Adson Bezerra Rocha foram presos por suspeita de envolvimento na morte do adolescente.

Os PMs Bruno Freitas e Ivanildo Rosas também foram presos, por fraude processual, que é o testemunho falso dado à Justiça, segundo a SSP-AM.

A Polícia Civil concluiu, também, que nenhum dos adolescentes envolvidos estava armado e que não houve troca de tiros com a polícia.

Segundo a delegada Rita Tenório, as investigações confirmaram que a arma encontrada no local do crime foi plantada pelos policiais militares para simular a troca de tiros contra os adolescentes.

Os vídeos das viaturas policiais foram fundamentais para a polícia entender a dinâmica dos fatos. “A ocorrência foi atendida em primeiro momento pelos policiais Bruno e Ivanildo e foi possível constatar que os PMs Erivelton e Francisco chegaram ao local em conjunto com os outros dois”, afirmou Ivo Martins, que declarou que o motivo que levou ao disparo do policial Erivelton contra Hering ainda não foi esclarecido e será investigado.

“Conseguimos constatar que os PMs falavam, a todo tempo, com uma pessoa cuja identidade já sabemos, mas não podemos revelar, nesse momento. Os policiais pediam um ‘cabrito’, que no jargão popular é conhecido como uma arma plantada”, relatou Martins.

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