Médico deu ‘um help’ de R$ 12 mi para a AudioMix

Carla Albuquerque/Dez Minutos


Manaus – Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que a entrada do médico e empresário Mouhamad Moustafa como um dos sócios do Grupo AudioMix salvou e empresa da falência. Em um dos áudios obtidos pela polícia, com autorização judicial, o médico afirma que, de início, deu à empresa “‘um help” de R$ 12 milhões.

Moustafa foi preso, na última terça-feira, em Manaus, na operação Maus Caminho, pela PF, que suspeita que o dinheiro é uma parte dos R$ 112 milhões  desviados da saúde pública do Amazonas por meio do Instituto Novos Caminhos (INC).

Consta na representação criminal, a qual a reportagem teve acesso, que a entrada de Mouhamad como um dos sócios no grupo sediado em Goiânia, administrado pelo empresário Marcos Aurélio Santos de Araújo, ocorreu entre setembro de 2014 e junho de 2015. A associação ocorreu após a morte e saída de dois integrantes do grupo. Essa súbita entrada, segundo as investigações da PF, foi uma das formas encontradas pelo médico para lavar o dinheiro desviado.

Em um dos trechos do documento, a PF diz que Mouhamad fala sobre as circunstâncias de sua entrada no grupo AudioMix, afirmando que deu “um help” de R$ 12 milhões, dinheiro que foi fundamental para salvar a empresa da falência. Ele relaciona a sua entrada à saída do cantor Gusttavo Lima e à morte de Cristiano Araújo, fatos ocorridos em setembro de 2014 e junho de 2015, respectivamente.

De acordo com os documentos, Mouhamad inseriu recursos desviados da saúde do Estado do Amazonas nos empreendimentos e atividades relacionadas à empresa AudioMix, na qual firmou sociedade não formalizada com o empresário Marcos Aurélio Santos, o ‘Marquinho’. “Vale ressaltar que foram, em tese, identificadas várias transferências de recursos de Mouhamad ou das empresas Salvare e Total para conta de diversas empresas do ramo empresarial artístico”, consta na representação. Salvare e Total eram duas das empresas utilizadas pelo Instituto Novos Caminhos para ‘lavar’ dinheiro, segundo a PF.

As investigações indicam, ainda, diversas viagens de Moustafa aos eventos promovidos pela AudioMix, dentre eles os shows do Villa Mix. Nas interceptações telefõnicas da PF, o médico e empresário confirma a ida ao evento que ocorreu em junho deste ano em Salvador (BA) e cita uma cobertura de propriedade do grupo, na qual era acostumado a ficar durante as viagens.

Mouhamad:…“vai ter Villa Mix de Salvador agora em julho… ‘finalzim’ de julho… ai eu de vez de ficar lá na cobertura nossa em Salvador mesmo, onde eu sempre fico… que é nosso lá da AudioMix… eu vou ficar em algum ‘rezortizinho’ lá perto…”

Enriquecimento

De acordo com as informações policiais, Mouhamad Moustafa atuava como líder da organização criminosa que desviou cerca de 112 milhões dos recursos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. Para isso, ele usava o Instituto e as empresas Salvare, Total Saúde e a Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea).

O Instituto  foi contratado para administrar as unidades de saúde UPA Campos Sales, em Manaus, Centro de Reabilitação em Dependência Química – CRDQ, em Rio Preto da Eva, e a UPA 24 Horas e Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga. Nos últimos dois anos, cerca de R$ 220 milhões em recursos públicos destinados à saúde do Amazonas foram pagos ao Instituto. Em 25 de março de 2014, o então governador do Amazonas Omar Aziz (PSD) classificou o Instituto como Organização Social.

A AudioMix informou que Moustafa manifestou o interesse de investir na carreira de artistas sertanejos, em novembro de 2015. Após tratativas, ele adquiriu percentuais do resultado do agenciamento de quatro artistas, mediante o pagamento parcelado de valores pactuados nos contratos de cessão de direitos já entregues à Polícia Federal.

A empresa informou, ainda, ter solicitado prova de capacidade financeira ao médico, o qual apresentou declarações de renda compatíveis com o valor exigido.

A AudioMix alega que a renda apresentada por Moustafa tinha origem e era legal. A AudioMix destacou, também,  que o médico não é sócio da empresa e acrescentou que, até o momento, não foi efetuado a ele nenhum repasse financeiro por parte do grupo.

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