Dificilmente AM terá outro piloto na F-1’

Thiago Fernando /vencer@diarioam.com.br


Manaus –  Na última semana, o site oficial da Stock Car Brasil anunciou a volta da equipe Prati-Donaduzzi ao campeonato, em 2017. A empresa farmacêutica de Toledo (PR) assinou contrato de três anos com a RX Mattheis Motorsport e, nesse período, será representada nas pistas novamente pelo amazonense Antonio Pizzonia e pelo curitibano Júlio Campos, que pilotaram os carros roxos nas temporadas de 2014 e 2015.
Para saber mais desse novo desafio, o DIÁRIO conversou com Pizzonia, que revelou ter recebido a confirmação com muita alegria, pois a equipe entrará na competição para conquistar poles e vitórias. Além disso, o ‘jungle boy’ comentou sobre a Fórmula 1 (F-1) e a aposentadoria de ex-companheiros de grid, como o brasileiro Felipe Massa e o alemão Rico Rosberg.

Como decorreu a negociação para voltar à Stock Car e como recebeu essa confirmação?
Primeiro, fico muito feliz em retornar a maior categoria do automobilismo nacional. Vinha trabalhando a mais de um ano com essa possibilidade e de correr por essa equipe, que tem um histórico muito forte dentro da categoria, apesar de não estar tendo um ano muito bom. É uma equipe forte. Então, fico bastante ansioso pelo começo do ano e para começar a trabalhar. A expectativa é muito grande.

Qual foi a sua reação com o anúncio da aposentadoria do atual campeão da F-1, Nico Rosberg?
Ninguém esperava que ele tomasse essa decisão. Ele está na melhor equipe e com o melhor carro. Acabou de ser campeão mundial e é um piloto, relativamente, novo. Sinceramente, não consigo nem imaginar o que passar pela cabeça dele nesse momento. Como atleta, a gente sabe das dificuldades que a F-1 tem. É uma categoria extremamente difícil e a cobrança é muito grande. Não sabemos o que passou pela cabeça dele, mas vamos respeitar.

Como recebeu a informação da aposentadoria do Felipe Massa?
A dele já estava prevista. Sabíamos que ele se aposentaria em breve. Mas, o Massa fez a história dele. Poderia ter sido campeão mundial em um dos anos que correu. Representou muito bem o Brasil, mas já era meio que esperada. Não podemos comparar com a do Rosberg, que chocou o mundo.

O interesse do brasileiro pelo automobilismo diminuiu?
É natural que dê uma esfriada quando você não tem um ídolo muito forte. Tivemos um histórico de conquistas que veio até o Senna. Mas o Ibope da Fórmula-1 caiu no mundo inteiro, independente de país. Não foi só no Brasil.

Acredita que no Brasil não sabemos aproveitar os bons momentos de atletas para estimular novos praticantes?
O esporte é difícil em qualquer lugar do mundo. No Brasil, historicamente, é muito complicado, tirando o futebol. O automobilismo vem diminuindo cada vez mais. Antigamente, principalmente no Sul e Sudeste do País, em todas as cidades tinha um kartódromo. Era comum o kart, que é a base do automobilismo. Hoje, dificilmente encontramos um kartódromo nessas cidades. A base está se acabando. Consequentemente, a quantidade de pilotos que vem se formando e que poderiam se formar vem diminuindo. O problema está na base.

Além da Stock Car, tem outro projeto para 2017?
O foco principal será realmente a Stock Car. Teremos muito trabalho pela frente. Se pintar uma ou outra corrida pelo ano, vou fazer sim. Principalmente se for fora do Brasil. Se Deus quiser, vamos ter um ano muito bom para ganhar corrida e fazer o melhor possível.

Tem algum projeto programado para realizar no Amazonas?
Aqui é difícil. Tínhamos um kartódromo e destruíram para fazer estacionamento para a Copa do Mundo. Eles nem usaram os estacionamentos. Sinceramente, não tenho esperança das coisas acontecerem em Manaus.

Acredita que deveria ser mais reconhecido na cidade?
Acho que o reconhecimento vem conforme está o seu momento na carreira. A minha carreira, hoje, se encontra em um patamar bem diferente em relação ao que eu estava quando pilotei na F-1. O reconhecimento é imediato quando se está no auge. Depois que sai, tem vários fatores que podem ajudar a manter ou não. Enfim, o que posso falar é que fiz a minha história no automobilismo e falo com muita tristeza que, dificilmente, o Amazonas terá outro piloto na F-1, acho impossível e nas grandes categorias do Brasil, acho bem improvável. É uma pena. Tem muita gente que reconhece o que fiz e outros não. Independente disso, faço o meu trabalho e busco fazer o meu melhor. Assim, vou agradar as pessoas que torcem por mim.

Como reagiu com a queda do avião que carregava a delegação da Chapecoense?
Nessas horas, não pensamos na quantidade de vezes que viajamos. Vemos como um ser humano qualquer. Fiquei em choque. No dia, quando acordei, vi a notícia, veio uma tristeza muito grande. Acompanhamos a história de cada um. Jovens atletas, que tinham um futuro promissor pela frente. Isso é muito triste.

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