Falta de lei representa risco no MMA

Thiago Fernando / vencer@diarioam.com.br

Manaus – Em constante crescimento em números de praticantes e fãs, o Mixed Martial Arts (MMA) ainda não é considerado esporte no Brasil. O projeto de lei que busca legalizar a modalidade no País tramita no Congresso há quatro anos, sem conseguir êxito. Por causa disso, hoje, qualquer pessoa pode criar e realizar um evento de MMA.

Mesmo considerado um celeiro de grandes lutadores, o Amazonas sofre com a falta de estrutura em alguns eventos. Um dos representantes do Estado na maior organização do mundo, o Ultimate Fighting Championship (UFC), o lutador Adriano Martins revelou que já lutou de graça em organizações, no início da carreira.

“Graças a Deus, consegui chegar a uma grande organização, mas olho por muitos que sonham em crescer e chegar onde estou. Eles buscam chegar ao UFC ou em outro evento. Se no meu começo, tivesse a mesma cabeça de hoje, não sei se teria a mesma força e garra para chegar até aqui. Eu acredito que não. Tive que passar por muitas coisas para chegar até aqui. Teve eventos nacionais que lutei de graça. Foi difícil. A caminhada é longa e árdua”, disse o atleta, que avalia como ‘vergonhoso’ o tratamento de alguns eventos com o pós-luta dos atletas.

“No Brasil, os promotores já colocam que não se responsabilizam pelos problemas pós-luta. Acho isso um absurdo, até porque, se for colocar em números o que você recebe por lutas no Brasil, não paga uma cirurgia, se for preciso fazer. Você vai ter que correr atrás do Sistema Único de Saúde (SUS). Eles não dão nenhum tipo de assistência. Infelizmente, os atletas têm que passar por isso para conquistar o espaço. Isso é muito sério”, citou Adriano, comparando com o que acontece nos Estados Unidos.

“Todos os eventos nos Estados Unidos são obrigados a dar toda assistência aos atletas, pequeno ou grande. No UFC, você sai da luta e passa por uma avaliação médica. Depois disso, caso você queira ir ao hospital, eles te levam e dão todas as assistências. Você tem até 30 dias, depois da luta, para pedir auxílio. Eles têm um seguro que é pago, tipo mil dólares, e você tem o direito de cuidar da contusão”, afirmou o lutador, que já ajudou um amigo, em Manaus, que teve um problema no maxilar, após uma luta, e não foi amparado pelos contratantes do evento.

Detentora do cinturão do Rei da Selva Combat, a lutadora Mayana Kellen citou que a pior parte para o atleta é justamente o pós-luta. “O pós-luta do atleta, até em alguns eventos grandes, é difícil. Os eventos têm os olhares virados para os atletas que dão retorno. Os demais ficam sem nada. Lutador não tem salário. Os eventos pequenos são piores. Até mesmo quando você tiver algum problema de emergência, eles vão te levar para um pronto-socorro e pronto. A ambulância vai ter que voltar para que as outras lutas aconteçam”, disse Mayana.

Bolsas pagas com ingressos

Outra realidade triste encontrada pelos lutadores amazonenses são os baixos valores pagos por combate. A maioria recebe apenas R$ 500 por luta e, algumas vezes, esse valor é pago em ingressos. “O atleta sofre muito. Quase todos os eventos pagam os atletas com ingresso. Me recuso a receber assim, porque trabalho lutando e não sendo cambista. Mas garanto que a maioria dos eventos de Manaus pagam os atletas dessa forma”, disse a campeã.

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