Gabriel Medina fatura bicampeonato inédito no Mundial de Surfe deste ano

Quatro anos depois de fazer história ao ser o primeiro brasileiro campeão do mundo, em 2014, surfista de Maresias (SP) voltou a conquistar um título novo para o País, ontem, pela última etapa da competição de 2018, em Pipeline, no Havaí

Paulo Favero (AE) contato@jornaldezminutos.com.br

Espaço reservado para o troféu do bicampeonato mundial. Essa mensagem na sala de conquistas do surfista Gabriel Medina, no Instituto que criou com seu nome em Maresias, no litoral paulista, servia de motivação antes do embarque para o Havaí. E como uma profecia, o atleta brasileiro cumpriu à risca o que dizia o bilhete e garantiu o seu mais novo troféu no surfe.
E o Brasil fez a festa na etapa de Pipeline, no Havaí, ontem, ganhando os principais troféus. Além do título mundial de Gabriel Medina, o surfista de Maresias ainda foi o campeão da etapa pela primeira vez e outro brasileiro, Jesse Mendes, conquistou a Tríplice Coroa Havaiana.
Medina realizou o seu sonho de infância ao ganhar o Pipe Masters. E realizou este feito, justamente, contra o australiano Julian Wilson, que dificultou ao máximo a caminhada do agora bicampeão mundial. O brasileiro venceu a final da etapa por 18,34 pontos a 16,70 e ganhou um troféu que ainda não possuía em sua coleção.
“Estou feliz da vida de conquistar isso. Ganhar o Pipe Masters é especial, é muito difícil ganhar essa etapa, mas agora consegui”, declarou.

Além do título do bi mundial de surfe, brasileiro Medina também conquistou pela primeira vez a etapa do Havaí (Foto: Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

Aos 24 anos, Medina confirmou o favoritismo ao passar as suas baterias sempre com bom desempenho enquanto que seus adversários, o compatriota Filipe Toledo e o australiano Julian Wilson, não tiveram como o parar nesta última edição.
Para ser logo declarado campeão do Mundial de Surfe deste ano, Gabriel Medina precisava chegar à final em Pipeline. E como um mantra, repetia isso a cada entrevista. Passou na primeira fase diretamente para a terceira, deixando o australiano Connor O’Leary e o havaiano Benji Brand na repescagem.
Na terceira fase, eliminatória, o brasileiro de Maresias ganhou de um outro surfista local, Seth Moniz, e manteve o foco para cumprir a sua meta. Foi nessa prova que Filipe Toledo acabou sendo eliminado, perdendo para o lendário Kelly Slater e dando adeus à disputa do título. O caminho estava mais livre para Gabriel Medina.
Na quarta fase, Medina fez 16,90 pontos para avançar às quartas de final em bateria que tinha ainda o havaiano Sebastian Zietz e Michel Bourez, do Taiti. Depois, ontem, despachou o norte-americano Conner Coffin nas quartas com impressionantes 19,43 pontos em 20 possíveis – o rival fez 14,26 pontos.
Na semifinal, o brasileiro teve um duelo equilibrado com o sul-africano Jordy Smith, que começou na frente, mas tomou a virada depois que Medina pegou um lindo tubo para Backdoor, alcançando uma nota de 9,10 pontos. No final, ele somou 16,27 contra 15,83 de Smith e saiu do mar nos braços dos amigos em Pipeline.
É o segundo título do Circuito Mundial de Surfe do garoto de Maresias. Em 2014, ele se tornou o primeiro brasileiro a ser campeão mundial na modalidade. Agora, é o primeiro bicampeão e deixa o Brasil com três troféus – Adriano de Souza, o Mineirinho, ganhou o Mundial, em 2015. O feito de Medina coroa o ótimo momento do surfe nacional.
Gabriel Medina chegou ao Havaí na liderança do campeonato e sabia que dependia apenas de si para conquistar o título. Com grandes tubos, manobra mais bem pontuada no Pipe Masters, levantou a torcida brasileira e sua família na areia em Pipeline.

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