‘Eu quero é botar o meu bloco na rua…’

Bruno Mazieri /plus@diarioam.com.br

Manaus – Ao longo dos anos, os blocos e bandas de rua estão ganhando cada vez mais adeptos. Seja pela descontração ou, até mesmo, pela facilidade em brincar o carnaval, os foliões – que são de várias idades – não abrem mão de dançar e cantar, em perfeita harmonia, com os ‘pés’ na rua.

Neste ano, a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) dará suporte de palco, som e iluminação para 100 eventos gratuitos. E para que o folião-leitor possa ir se programando para a época mais animada do ano, selecionamos 11 blocos/bandas tradicionais de Manaus e que reúnem até 200 mil pessoas.

Banda do Jangadeiro

Tendo como tema os 7 Pecados Capitais, a Banda do Jangadeiro sairá no dia 11 de fevereiro, a partir das 15h, na Rua Marquês de Santa Cruz, Centro. Realizado há 12 anos, o evento, segundo o coordenador Mariolino Brito dos Santos, tem crescido bastante. “Quando criamos a banda, foi com o intuito de acabarmos com a discriminação que existia naquela região da cidade. E com a reinauguração do Mercado Adolpho Lisboa, conseguimos pacificar ainda mais o Centro. Prezamos por um carnaval sadio, com segurança e banheiros químicos. Ou seja, toda a infraestrutura para garantir ao brincante uma ótima diversão”, diz.

A Banda do Jangadeiro, neste ano, terá como atrações as bandas Cachorro com Café (samba), Bellk (jovens talentos da Presidente Vargas), Amigos do Sim e fechando a noite, Os Demônios da Tazmania. Porém, o grande atrativo, sem dúvida, é o desfile de bonecos, que estarão devidamente caracterizados cada um com um dos 7 Pecados Capitais. A expectativa de público é entre 4 e 5 mil pessoas.

Banda da Bica

Chegando ao seu 31º ano, a Banda da Bica – uma das mais aguardadas pelos foliões – acontecerá no dia 18 de fevereiro, a partir das 15h, na Rua 10 de Julho, Centro. Em frente ao Bar do Armando, onde o evento foi criado. Com o tema ‘Tem dinheiro (se não roubar) dá para fazer’, a Banda Independente da Confraria do Armando (Bica) conta, neste ano, com três marchinhas sendo uma delas assinada pelo jornalista Mário Adolfo e a outra pelo músico Adal.

Para Ana Cláudia Soeiro, filha do saudoso Armando, o sucesso da festa deve-se aos temas polêmicos que sempre são abordados e por manter a tradição das marchinhas de carnaval. “A única coisa que inserimos depois da morte do meu pai foi o frevo. Do resto, mantemos a tradição ao longo desses 31 anos e não nos curvamos a outros estilos musicais”, declara. Para 2017, Ana Cláudia adianta que as atrações confirmadas são Bateria da Reino Unidos, Cauxi Eletrizado, Banda do Adal e Manaus Frevo.

Mas antes, para quem quiser ir ‘aquecendo’ para o Dia D, a pedida são os esquentas que acontecerão nos dias 2, 9 e 16 de fevereiro, sempre a partir das 20h. A expectativa de público é de 50 mil pessoas.

Banda da Difusora

Marcada para acontecer no dia 18 de fevereiro, a partir das 16h, na Avenida Eduardo Ribeiro, Centro, a Banda da Difusora chega aos seus 22 anos com todo o gás e muito sucesso para comemorar. “Desde a sua fundação, ela teve o objetivo de presentear os ouvintes da Rádio Difusora e celebrarmos juntos o carnaval”, explica Elieyde Menezes, fundadora do evento e que divide a organização da festa com André Anzoateghi.

Para este ano, a rádio convidou as bandas Frutos do Pagode, Marrakesh, Os Embaixadores e Jr. Banda, além das baterias das escolas Aparecida e Reino Unido, para colocar seus 50 mil foliões para dançar até meia-noite. “Sempre prezando pela organização e cuidado com todos que saem de suas casas para nos prestigiar”, finaliza.

Banda da Bhaixa da Égua

Os moradores do bairro Educandos estão contando os dias para mais uma edição da Banda da Bhaixa da Égua, que há 26 anos anima o trecho entre as ruas Manuel Urbano e Boulevard Rio Negro. Marcada para o dia 19 de fevereiro, às 15h, ela contará com seis atrações musicais. “Ela é uma tradição e foi criada no governo Collor, quando não teve carnaval de rua. Então, a Velha Guarda decidiu criar uma banda e deu a ela este nome por conta de um morador que vivia com uma égua de verdade. Ela acabou se tornando o símbolo do nosso carnaval”, conta Alcides Castro, organizador da festa. Ele avisa, também, que no dia 5 de fevereiro, às 16h, a banda terá um esquenta, no mesmo endereço.

Bloco das Piranhas

Homens vestidos de mulheres, muita música e animação. Este o estilo do Bloco das Piranhas criado há 37 anos e que se consagra como “o pai dos eventos de rua de Manaus”. Por muitos anos realizado no bairro Parque 10, o bloco ficou tão grande que precisou ser transferido para o Centro de Convenções (Sambódromo), onde acontecerá no dia 26 de fevereiro, a partir das 16h.

Para o organizador Marcos Botelho, apesar das bandas musicais a grande atração é sem dúvida o homem que vai vestido de mulher. “Temos trabalho pesado no resgate dessa tradição. Somos o mais antigo Bloco das Piranhas do Brasil e o único com patente nacional. Então devemos esses sucesso a todos os foliões que brincam conosco devidamente caracterizados”, ressalta o coordenador da festa.

Para participar, é necessário fazer a doação de 1kg de alimento não perecível, que será destinado a instituições de caridades. “Além disso, investimos em 250 seguranças particulares e 60 brigadistas para que todos possam se divertir com tranquilidade e comodidade”, salienta Botelho. A expectativa de público é de 40 mil pessoas dentro do Sambódromo, mais uma centena de foliões nos arredores do local.

Banda do Caxangá

Prestes a completar 10 anos, a Banda do Caxangá é famosa por reunir diversos artistas da Música Popular Amazonense (MPA) como Lucilene Castro, Zezinho Corrêa, Cinara Nery, Márcia Siqueira, Ellen Mendonça e Kátia Maria que, além de cantar, aproveitam para se divertir. Neste ano, a banda está marcada para o dia 26 de fevereiro, a partir das 17h, na Rua Cândido Mariano, Centro. Próximo ao Parque Senador Jefferson Peres.

Reldson Oliveira de Paula, coordenador do evento, conta que o objetivo da festa, além de levar animação ao povo, é trazer a família manauense para as ruas. “O clima é muito bacana. São crianças, adolescentes, adultos e idosos brincando de forma sadia e com tranquilidade e segurança”. A animação fica por conta das marchinhas de carnaval, mas Paula revela que neste ano o rock terá seu espaço. “Vamos inovar e introduzir outros ritmos na nossa programação, algo mais alternativo. Um pouquinho de tudo”.

Bloco do Caldeira

Com a tradição, desde 1964, de ser sempre realizado na Segunda-Feira Gorda, o Bloco do Caldeira ganha a Avenida José Clemente, Centro, no dia 27 de fevereiro, a partir das 16h. Carbajal Ferreira Gomes, organizador da festa, diz que este a animação fica por conta da Velha Guarda do Bar Caldeira, das bandas Pororoca Atômica e Os Demônios da Tazmania e encerra com a Bateria da Aparecida.

Segundo ele, o diferencial é o cuidado com o folião e com o Bar Caldeira. “Para os brincantes contamos com segurança, estrutura médica, banheiros químicos e tudo mais. E com o bar, ele é isolado por se tratar de um prédio histórico e tombado”, lembra Gomes. A expectativa é de que 50 mil pessoas compareçam na festa.

Banda do Galo

No dia 28 de fevereiro, a partir das 14h, a Avenida das Torres será o lugar certo para quem procura diversão e não quer deixar de aproveitar os últimos momentos do carnaval. Trata-se do Galo de Manaus, uma banda que começou timidamente no bairro Dom Pedro e, atualmente, é uma das mais esperadas pelos foliões.

Sempre homenageando uma personalidade musical, neste ano será a vez do mestre Luiz Gonzaga, com o tema ‘O Baião Frevô’ com uma expectativa de reunir – acreditem ou não – 200 mil pessoas. Entre as atrações, a mais esperada é a banda Mão Pra Riba, que transformará os clássicos de Gonzaga em frevo. Os frevolês – vestimenta não obrigatória – devem custar entre R$ 30 e R$ 40.

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