Cozinheira cria ovo de coxinha para a Páscoa e recebe encomenda até da Bélgica

Estadão/Dez Minutos

Foto: Divulgação

São Paulo – De uma receita simples e praticamente sem variações, a boa e velha coxinha de repente se tornou em uma espécie de laboratório de testes para empresários em busca de inovações. Foi desse impulso que surgiu a coxinha gigante da padaria da zona norte de São Paulo, a coxinha de feijoada, recheada com doce de leite e a versão com mortadela. Nesta Páscoa, entretanto, uma quituteira de Cascavel (PR) decidiu radicalizar. Ela inventou a coxovo, que funde a paixão nacional pelo salgado recheado por frango desfiado com o oportunismo sazonal do ovo que se come na festa católica. A ideia está fazendo sucesso.

A coxovo surgiu de uma encomenda feita a Marilza Veiga, uma empregada doméstica que faz doces e salgados para festas para completar o orçamento de casa. A cliente buscava um presente para o namorado na Páscoa, mas não podia ser doce. “Ela me ligou e pediu pra inventar uma coisa, já que o namorado não gostava de chocolate. Eu fiz a coxinha em formato de ovo, mandei uma foto e ela disse que era isso mesmo que queria”, conta Marilza.

O que surpreendeu Marilza não foi sua ideia de coxinha em formato de ovo com 1,2 quilos, nem o fato da cliente ter gostado disso. Ela não esperava que um post colocado em seu perfil profissional no Facebook, o Mari Salgados, viralizasse.

“Coloquei a foto da coxovo na quarta de tarde e tudo bem, de noite tinha lá umas duas curtidas. Na quinta, meu sobrinho que mora em Rondônia me ligou avisando que a minha foto estava em tudo que era site”, ela conta.

15 dias de fama

Em duas semana, o perfil da Mari Salgados pulou de 250 curtidas dentro da rede social para 9,3 mil. A coxovo ganhava o mundo. “O telefone não para mais de tocar. Tem gente de outras cidades vindo para cá de ônibus só para pegar encomendas. Recebi pedidos até da Bélgica”, ela conta.

Apesar da tentação em aceitar pedidos de São Paulo, da Europa e de todo o mais, Marilza tem dito não para todas as propostas. A explicação é simples: a coxovo é uma coxinha como qualquer outra, é frita em óleo quente e tem prazo de validade de, no máximo, dois dias. “A gente coloca numa caixinha, tem um embrulho, mas é uma coxinha em formato de ovo”, conta ela, que continua sozinha preparando o salgado na cozinha de sua casa, que fica nos fundos de uma escola estadual da cidade. “Meu marido é bombeiro militar e somos os caseiros da escola.”

Cliente experimenta a coxovo na cidade de Cascavel -Foto Divulgação

Cofrinho

Agora, a paranaense começa a fazer planos mais ambiciosos. Por pura coincidência, Marilza conta que a história da coxinha de ovo ficou famosa justamente no dia em que ela se despedia do emprego de dez anos na casa de uma mesma família. A ideia, daqui para a frente, é intensificar a produção caseira de salgados. “Eu sou conhecida aqui por fazer salgados em formatos diferentes, formato de estrela, de bichinhos. Quero aproveitar o momento e ver no que dá.”

Desde de que começou essa história, Marilza contabiliza umas 100 coxovos preparadas, cada um vendido a R$ 30. Ela espera por mais encomendas. O dinheiro faturado, no entanto, vai ser um mistério pelo menos até depois do feriado. Assim que notou que as vendas cresceriam, ela foi ao mercado, gastou R$ 600 em peito de frango, farinha de trigo e comprou também um cofrinho. Todo o dinheiro que chega das encomendas ela deposita lá dentro. “Depois da Páscoa, eu vou me sentar, abrir o cofrinho e descobrir quanto eu ganhei. Tomara que dê um bom dinheiro.”

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