Diretor de ‘The Lobster’ tem novo filme vaiado em Cannes

Yorgos Lanthimos apresentou 'The Killing of a Royal Deer' e não agradou

Estadão/Dez Minutos

Foto: AFP PHOTO

Cannes –  Canine em 2009, The Lobster em 2015. O grego Yorgos Lanthimos certamente não é uma unanimidade, mas tem prestígio aqui em Cannes. Tornou-se um regular da Croisette. Este ano participa com The Killing of a Royal Deer. Ecos de Eurípedes, Ifigênia. Um médico bem sucedido. Mulher, casal de filhos. Colin Farrell, ator fetiche de Lanthimnos, Nicole Kidman. Surge esse garoto, cujo pai morreu na mesa de cirurgia de Farrell, anos atrás. Como um mensageiro sinistro de tragédia grega ele vem cobrar essa morte. Vítimas de maldição, os filhos do doutor começam a morrer. O sacrifício de Ifigênia. Confesso que sou mais a versão de Michael Cacoyannis. Lanthimos não tem meias medidas. As pessoas amam ou odeiam. Não chego a odiar, porque ele cria imagens elegantes, usa a música para sobreccaregar o drama. Mas entendo perfeitamente as vaias no final. Uni-me a elas, confesso.

O coreano Hong Sangsoo está com dois filmes no festival – A Câmera de Claire, fora de concurso, e The Day After, em competição. Em fevereiro, Kim Minhee foi melhor atriz em Berlim por Bamui haebyun-eoseo honja. Três filmes em dois grandes festivais no mesmo ano… Porreta! Sangsoo, como Christophe Homnoré, ainda faz um cinema nouvelle vague. Ecos de Eric Rohmer, Minha Noite com Ela. Um escritor, e logo de cara a mulher cobra que ele tem uma amante. Mais tarde, ela agride verbalmente Kim Minhee, que trabalha com o escritor e é atraída por ele, mas sexo, nada. A amante é outra. Reencontram-se, o escritor e Kim. O que ocorreu entre eles? Nada – ou tudo. Hong Sangsoo possui o segredo desses filmes pequenos, no tom, mas grandes, na riqueza. Os personagens bebem, conversam. Conversam, bebem. E assim, vai a arte, a vida. Se Hong Sangsoo não existisse, teria de ser inventado.

Feministas de plantão podem ir se preparando para o Loucas de Alegria deste ano. Um filme italiano, como o de Paolo Virzi. Quem dirige, agora, é o ator e diretor Sergio Castellitto. O filme chama-se Fortunata. Uma cabeleireira que leva uma vida de m…, mas não desiste de sonhar. Jamine Trinca, Stefano Accorsi. Se quiserem ganhar dinheiro, Jean-Thomas Bernardini ou Adhemar de Oliveira podem ir comprando.

Nos quadros de cotações, o filme mais bem cotado, até agora, é o russo – Faute d’Amor, Falta de Amor, de Andrey Zvyagintsev. Assino embaixo. É o melhor da competição. Fora dela, meu favorito é o Philippe Garrel, L’Amant d’Un Jour, na Quinzena.

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