Vítimas de incêndio, que perderam as casas, reivindicam pagamento de auxílio-moradia

Por Isabelle Marques


Manaus – Um grupo de cerca de 30 pessoas bloqueou a Ponte do São Jorge, na manhã desta quinta-feira (9), para manifestar contra o atraso do pagamento de auxílio-moradia às vítimas que tiveram suas casas queimadas em um incêndio na Comunidade Arthur Bernardes, em 2012. Entre as reivindicações do grupo estava o atraso do auxílio em 11 dias e a cobrança de novas moradias que devem ser feitas no local onde ficava a comunidade. O ato causou transtorno no trânsito da área e agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) fizeram desvios para facilitar o tráfego.

Outro ato já havia sido feito no dia 4 de abril deste ano no bairro São Jorge, zona oeste da capital.

A manifestação foi organizada pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia. O coordenador estadual do movimento e presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Arthur Bernardes, Leonardo Farias, explicou que o pagamento de R$ 400, referente ao auxílio-moradia, estava previsto para o último dia 28. “Nossa situação está crítica porque muitas pessoas perderam tudo, então, estamos na rua esperando pela entrega dos apartamentos. Estamos revoltados. Se não derem a casa para a gente, vamos ocupar de novo o local”, comentou.

Durante o ato, o grupo queimou pneus e lixo. O Corpo de Bombeiros foi acionado para acompanhar a manifestação.

Ainda durante o ato, um grupo se revoltou e chutou a proteção de alumínio que divide a pista do terreno onde está prevista a obra, quebrando-a. Policiais militares intervieram e orientaram os moradores a pararem. Ainda conforme o coordenador do movimento, o grupo não fazia parte do protesto. “Foi um ato de vandalismo. Para muitos se torna festa e isso prejudica a nossa luta”, afirmou.

O ex-morador da Comunidade Arthur Bernardes, o motorista de ônibus Manoel Gomes, 40, contou que depende do dinheiro para pagar as despesas do aluguel. “Tive que me mudar com meus dois filhos para a Avenida Brasil, mas ainda moro de aluguel. Agora, com o atraso do auxílio, estão quase para me expulsar de casa, porque vão esperar eu receber o dinheiro. Conto com essa nova casa que vão dar para a gente, mas até agora nada”, relatou.

“Já mudei cinco vezes nos últimos anos, porque o aluguel aumenta e R$ 400 é pouco. Hoje, estou morando no Bairro João Paulo II, mas preferia voltar para a comunidade, onde é a nossa casa e fica perto de tudo”, reclamou a esteticista Rosângela Cordeiro, 40, que também perdeu a casa no incêndio.

Trânsito

O tráfego no local ficou complicado devido ao bloqueio da ponte São Jorge que começou às 6h. Agentes do Manaustrans realizaram um desvio para que os motoristas seguissem pela Avenida Brasil.

A servidora pública Acássia Paula, que tentava passar pelo local, não concordou com o fechamento da rua para o protesto. “Não apoio esse tipo de ato, preciso passar para buscar meu filho na escola. Agora vou ter que dar uma volta maior”, lamentou.

Já o autônomo Rami Fonseca, que precisava passar pelo local para seguir para o trabalho, apoiou o grupo. “Eles perderam tudo, então precisam protestar mesmo. Não atrapalha, a gente vai passar pela outra rua e fazer o retorno”, defendeu.

Resposta

Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus (SRMM) informou que a obra de financiamento do Ministério das Cidades via Caixa Econômica Federal (CEF) irá executar a requalificação urbanística do Igarapé da Cachoeira Grande, entre as Avenidas Arthur Bernardes e Kako Caminha, bairro São Jorge, zona centro-oeste da capital.

Conforme informações da Caixa Econômica fornecidas no mês de abril, as alterações do projeto foram enviadas para análise do Ministério das Cidades e a previsão é que até o fim deste semestre as obras sejam retomadas.

Já a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) afirmou que os pagamentos do Bolsa Moradia Transitória foram liberados hoje (9), pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), e que até a próxima terça-feira (14) estarão sendo creditados nas contas dos beneficiários.

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