Juntos, vereadores eleitos em Manaus só tiveram 25% dos votos

Álisson Castro / Dez Minutos


Manaus – Os 41 vereadores eleitos em Manaus obtiveram, juntos, apenas 25% dos votos na eleição do último domingo na capital. Somados, os candidatos obtiveram 264.038 votos dos 1.029.754 votos na eleição.

O candidato com maior número de votos foi João Luiz (PRB), que obteve 13.978 votos, o que representa 1,36% dos votos para o cargo. O menos votado, entre os eleitos, foi Prof. François (PV), que obteve 3.363 votos, 0,33% dos votos.

Para o sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Marcelo Seráfico, o dado demonstra necessidade de mudança no sistema político do País. “Aparece toda uma discussão sobre o modelo do voto, se deve ser em lista, se deve ser exclusivamente no partido e aí vem todo um debate sobre como se organizam os partidos, hoje, porque na hora em que subordinarmos todo o voto aos partidos, o ‘caciquismo’, que já é dominante, pode se reforçar”, disse Seráfico.

Segundo o sociólogo, em qualquer posição que se assuma não haverá uma ‘ótima’. “Em qualquer modelo haverá alguns ganhos e algumas perdas na reforma eleitoral”, disse.

Para o também sociólogo Luiz Antônio do Nascimento, a legislação eleitoral foi criada para beneficiar os próprios políticos. “Se pegar este número que você está me mostrando, aliado às manifestações de ruas nos últimos dois anos, a sociedade está careca de saber que este modelo ‘nós não queremos mais’, só que, ao mesmo tempo que ela diz isto, a sociedade não sabe o que quer no lugar. Outra coisa, a reforma política não sairá do Congresso Nacional, ela sairá das ruas por meio de Constituinte exclusiva ou ela não sairá. As oligarquias regionais ou nacionais não permitirão”, afirmou.

Alternativas

Uma das medidas para mudar o atual sistema eleitoral é é a introdução de voto proporcional com a lista fechada O partido faz uma lista de candidatos. O eleitor vota no partido que terá o número de vagas proporcional ao número de votos obtidos. As vagas serão preenchidas pelos candidatos da lista. A crítica é que o eleitor não poderia votar em outros candidatos fora da lista.

Outra opção é o voto distrital misto, uma mistura do sistema proporcional e do majoritário. O eleitor vota duas vezes. Uma para candidatos no distrito e outra para a lista dos partidos (legenda). A metade das vagas vai para os candidatos eleitos por maioria simples. A outra metade é preenchida conforme o quociente eleitoral pelos candidatos da lista. A crítica é que os eleitores não poderiam votar em candidatos de outros distritos.

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