Corpo de Dança do Amazonas apresenta espetáculos nos palcos do Ceará

Bruno Mazieri / portal@d24am.com

Manaus – De 9 a 12 de fevereiro, o Corpo de Dança do Amazonas (CDA) apresentará suas criações no palco do espaço Caixa Cultural Fortaleza (Praia de Iracema, no Ceará), dentro da programação do projeto ‘Um Norte que Dança’. A iniciativa, do Casarão de Ideias e da Cia. De Ideias, tem por objetivo promover um intercâmbio cultural entre os bailarinos locais e os profissionais de outros Estados, bem como mostrar a produção artística do Amazonas.

Segundo João Fernandes, diretor do Casarão e responsável pelo projeto artístico, a busca é, principalmente, pelo alcance a outras localidades. “E esse intercâmbio é fundamental até para que as outras pessoas conheçam o que está sendo produzido no segmento da dança, no Amazonas. E esperamos que, com isso, consigamos diminuir, cada vez mais, a distância entre os Estados”, diz.

O CDA tem um ‘repertório’ com mais de 50 espetáculos, porém, para este evento, especificamente, foram escolhidos somente três: ‘Cabanagem’, com coreografia de Mário Nascimento; ‘Milongas’, com coreografia de Monique Andrade; e ‘A Sagração da Primavera’, com coreografia de Adriana Góes e André Duarte. Este último será apresentado em dois dias.

Após as apresentações, serão realizadas palestras com o tema ‘Processos de criação do Corpo de Dança do Amazonas’, com Getúlio Lima, diretor da companhia e bailarinos.

Fernandes, que já levou o corpo de dança para Recife (PE), também por conta do ‘Um Norte que Dança’, afirma que o Casarão, dentro de suas ações, “busca potencializar, fomentar e fundir toda e qualquer troca cultural entre os artistas e produtores culturais”. “Isso fica muito bem claro no ‘Mova-se Festival de Dança’, no ‘Cênicas Autorais’ e em todas as nossas atividades. Isso é importante para o nosso fazer cultural e para promover a arte do Amazonas”, explica.

Repertório do CDA no Nordeste passeia por temática variada

Para a criação de ‘Cabanagem’, o coreógrafo Mário Nascimento iniciou o seu trabalho mergulhado no universo dos cabanos, por meio da literatura de Márcio Souza e Marilene Corrêa. O espetáculo apropria-se da essência da revolta popular e utiliza da sua linguagem para traduzir o espírito de resistência, de luta e de preservação das culturas de determinado local.

Já ‘Milongas’, que foi apresentado, pela primeira vez, em 2010, e passou por uma formatação, ressalta a contemporaneidade dos estilos, unindo o tango com o eletrônico e a dança de salão com a dança contemporânea, sem perder a essência das milongas, estilo que surgiu na Espanha, no fim do século 19.

Por fim, ‘Sagração da Primavera’ é uma obra que retrata a visão fugaz de um ritual pagão eslavo no qual uma jovem dança até a morte, como oferta ao Deus da Primavera. Com música de Igor Stravinsky, ele foi concebido, originalmente, por Vaslav Nijinsky para a companhia Ballets Russes, do empresário Sergei Diaghilev e, tanto música como coreografia, revolucionaram a arte, desde então. Os coreógrafos retiraram a obra do seu contexto inicial e fizeram uma releitura imersa na cultura indígena.

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