Tragédia com micro-ônibus completa quatro anos; ‘aquele segundo mudou nossa vida’

Acidente entre o micro-ônibus e um caminhão aconteceu na noite do dia 28 de março de 2014, deixando 16 pessoas mortas e 17 feridas. Familiares relatam dor e lembranças

Sofia Lorrane

Manaus – “Você não pensa que, na sua imprudência, pode deixar uma mãe sofrendo a falta de um filho, ou até filhos sem pais”. Essa é uma declaração de Larissa Pires Chicre, 32, filha do casal de aposentados João Jorge Duarte, 57, e Clarice Gomes Pires, 65, que morreu no acidente entre um micro-ônibus e um caminhão, no dia 28 de março de 2014, na Avenida Djalma Batista, zona centro-sul de Manaus.

Acidente entre entre o micro-ônibus e um caminhão aconteceu na noite do dia 28 de março de 2014, deixando 16 pessoas mortas e 17 feridas (Foto: Eraldo Lopes)

Quatro anos após o acidente, Larissa conta que os pais passavam férias em Manaus, na época do acidente. “Eles eram casados há quase 40 anos. Meu pai era de Manaus e minha mãe do Pará, mas moraram por muito tempo em Manaus. Em 2014, estávamos morando em Niterói, no Rio de Janeiro, e, de vez em quando, eles vinham para cá passar férias”, relatou.

Durante a entrevista, Larissa pediu consciência no trânsito. “Eu queria que as pessoas tivessem mais prudência, porque as suas inconsequências podem destruir famílias. Aquele segundo mudou a nossa vida por completo. Foi um acidente muito violento. O rosto deles estava irreconhecível”, comentou.

O casal de aposentados João Jorge Duarte, 57, e Clarice Gomes Pires, 65, morreu no acidente (Foto: Arquivo da família)

Bruno Pires, 35, outro filho do casal, cita as lembranças deixadas pelos pais. “A nossa família era muito unida e a maior lição que eles deixaram para a gente foi o amor. O que fica são as recordações, os passeios e as viagens que fizemos juntos. Nós fomos vítimas da imprudência e não queremos que isso aconteça com mais ninguém. As pessoas precisam tomar cuidado no trânsito”, disse.

Francineide Guedes perdeu a filha Quesia Guedes de Souza, 24, e o neto Luiz Miguel Guedes de Souza, 1, no acidente (Foto: Arquivo da família)

Francineide Guedes perdeu a filha Quesia Guedes de Souza, 24, e o neto Luiz Miguel Guedes de Souza, 1, no acidente. Ela conta que a filha havia ido ao Centro de Manaus, com o filho e a amiga Adriane da Silva Fernandes, 20, que também morreu no acidente. “Um vizinho falou do acidente e disse que as vítimas tinham ido para o Hospital 28 de Agosto. Fui até lá, mas eles não estavam lá. Aí, eu voltei para o local do acidente e, quando eu dei as descrições e perguntei onde eles estavam, me falaram que eles tinham falecido”, comentou.

Na entrevista, Francineide destacou as características de Quesia e Luiz. “Meu neto era muito esperto, danado e muito carinhoso. A minha filha tinha um coração muito bom, era uma pessoa calma, gostava de ficar em casa e sempre procurava ajudar as pessoas. Eles fazem muita falta, apesar de já fazer quatro anos”, ressaltou.

Acidente

A tragédia do dia 28 de março de 2014 aconteceu por volta das 20h, deixando 16 pessoas mortas e 17 feridas. Entre os mortos estão os motoristas dos dois veículos, uma criança e uma mulher grávida. O caminhão trafegava no sentido bairro-Centro, quando perdeu o controle, invadiu a contramão e bateu de frente com o micro-ônibus da linha 825. Na época, a Prefeitura de Manaus decretou luto oficial de três dias na capital.

Memorial

A inauguração de um espaço em memória às vítimas do acidente vai marcar, nesta quarta-feira (28), o encerramento da programação da 4ª Semana Municipal de Prevenção e Combate à Violência no Trânsito. O memorial foi construído na avenida Djalma Batista, embaixo do viaduto Airton Senna, local da tragédia. Durante a solenidade, também será realizado um Culto Ecumênico em homenagens às vítimas e em Ação de Graças pelos sobreviventes.

Durante uma semana foram realizadas diversas atividades direcionadas a condutores, pedestres, motociclistas e ciclistas, com o objetivo de reforçar atitudes que resultem em um trânsito mais seguro e responsável. O trabalho foi coordenado por educadores e agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans).

A ‘Semana Municipal de Prevenção e Combate à Violência no Trânsito’ foi instituída pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, em 2014, para que o acidente que resultou na morte dos 16 passageiros do micro-ônibus que trafegava na av. Djalma Batista, no dia 28 de março daquele ano, sirva de alerta para combater a imprudência no trânsito.

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