Presos mortos em cadeias respondiam por 7 tipos de crimes

De Carla Albuquerque

Manaus – Dos 64 detentos assassinados durantes os massacres nas unidades prisionais do Amazonas, 19 respondiam por homicídio e também 19 por roubo. Outros 10 que foram indiciados por tráfico, oito por estupros, três por latrocínio (roubo seguido de morte), três por furtos, um por corrupção ativa e um por uso de documento falso, também foram executados no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) e na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.

Muitos desses criminosos respondiam a mais de um crime, como é o caso de Robson Souza. De acordo com informações da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ele cumpria pena por homicídio. No entanto, consta no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) que ele também tinha processos por roubo seguido de estupro, praticado em 2003, no Colônia Antônio Aleixo.

Além de Robson, quem também tinha a ficha extensa era Alcinei Gomes da Silveira. Ele tinha sido condenado a 69 anos de prisão por ter assassinado a mãe, um irmão e tentado matar o pai a facadas. O crime ocorreu em 2002, no São José 2, na zona leste de Manaus. De acordo com documentos do TJAM, ele praticou os crimes porque a família não aceitou o fato dele ser homossexual.

O presidiário José Aldinei da Silva Leal também era detentor de uma vasta ficha criminal, que incluía, além de roubo e estupro uma tentativa de homicídio contra outro detento do Compaj. A denúncia apresentada pelo Ministério Público (MPE) em 2015, cita que ele e outro preso tentaram degolar o presidiário João Valério Mourão Carvalho.

Pelos mesmos crimes de roubo, homicídio e estupro respondia o detento Francisco Pereira Pessoa Filho, segundo consta no site do TJAM. Ele foi condenado, em 2014, a 14 anos e nove meses por homicídio e tentativa de homicídio de um casal, no bairro Nova Esperança, zona centro-oeste de Manaus.

 

Presos por furtos 

Não foram apenas os criminosos envolvidos em homicídios, roubos e estupros que foram assassinados durante o massacre em três presídios de Manaus, no começo de 2017. O detento Jorge de Carvalho Ramos, que foi condenado, em 2012, a dois anos de prisão por furto, também foi morto. Segundo documentos do TJAM, ele já havia ingressado, desde julho de 2015, com pedido de liberdade, que havia sido acatado pelo juízo da Vara de Execuções Penais (VEP), mas não está disponível no sistema do TJAM se foi ou não cumprido.

Além de Jorge, Frank Roniere Ferreira Reis e Gezildo Nunes da Silva, também estavam no Compaj cumprindo pena por furto.

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