No AM, médicos rejeitam trabalhar em áreas indígenas

Gisele Rodrigues contato@jornaldezminutos.com.br

Oito em cada dez médicos selecionados para a saúde indígena, no Amazonas, pelo Ministério da Saúde (MS), se apresentam nas comunidades, desistem e retornam à cidade de origem, informa a Associação dos Municípios do Amazonas (AMM). As vagas indígenas representam metade das oportunidades que foram rejeitadas pelos profissionais do Mais Médicos, em todo o País.

Com salários de quase R$ 12 mil, o Amazonas continua sendo o maior rejeitado pelos médicos, no Brasil. De acordo com o MS, 82% das vagas ainda não preenchidas no programa estão no Estado, conforme balanço divulgado na última segunda-feira.

As vagas indígenas representam metade das oportunidades que foram rejeitadas pelos profissionais do Mais Médicos, em todo o País (Foto: Elza Fiúza/ABr)

Após 15 dias de abertura do edital, os indígenas foram os principais prejudicados, mas as comunidades ribeirinhas também registraram desistência de 30%, depois da apresentação dos médicos. A informação veio do presidente da AMM, Andresson Cavalcante. Segundo ele, nenhum cubano está mais nos postos de atendimento no interior do Estado.

“A informação que a gente tem é que 70% das vagas foram preenchidas e já estão nos municípios. Mas 30% das vagas são nos municípios mais distantes, nas comunidades ribeirinhas, e quem foi selecionado não aceitou e acabou retornando ao seu Estado de origem. E 80% dos médicos da área indígena não aceitaram o trabalho e retornaram”, disse Andresson.

Entre os municípios com maior número de ‘abandono’ no preenchimento das vagas está Jutaí e Eirunepé, com seis vagas. O Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Solimões foi o com menor adesão dos médicos, apenas cinco vagas do total de 27 vagas.

Das 124 vagas que não receberam inscrições do novo edital de substituição dos cubanos no programa, 102 são para atender a população que está na extrema linha da pobreza no Amazonas. Desse total, os maiores desassistidos são os indígenas. Das 92 vagas disponibilizadas no edital, somente 28 foram preenchidas pelos médicos do programa.

Para solucionar o novo impasse provocado pelos desistentes, a ideia do órgão foi abrir um novo edital.

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