Médico da Maus Caminhos quer ser transferido para cela da Polícia Militar

De Jucélio Paiva

Manaus – O Comando da Polícia Militar (PM) do Amazonas recebeu, na última terça-feira (11), um pedido para a transferência do médico e empresário Mouhamad Moustafá, preso na operação Maus Caminhos, da cela em que está, na carceragem da Polícia Federal, para o quartel do Comando de Policiamento Especializado (CPE), no bairro Dom Pedro, onde está preso o ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro.

A informação foi confirmada, na noite da última terça, pelo comandante da PM, coronel Augusto Sérgio. Segundo ele, o CPE não tem capacidade para acomodar mais nenhum preso. Mouhamad foi preso no dia 20 de setembro, acusado pela PF de comandar um esquema criminoso de desvio milionário de dinheiro da  saúde pública no Amazonas, utilizando o Instituto Novos Caminhos, alvo da investigação.

Segundo a PF, foram desviados R$ 112 milhões dos cofres públicos do Estado. “Nós estamos definindo ainda um local. Porque já temos o Adail. Vamos ter que ver um local e preparar para receber ele (Mouhamad Moustafá) lá”, disse o comandante Augusto Sérgio.

 

Crimes sexuais

O ex-prefeito de Coari  Adail Pinheiro está preso desde fevereiro de 2014, acusado de comandar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes no Amazonas.  Em agosto de 2015, um advogado preso na mesma cela denunciou à polícia que foi violentado sexualmente por Adail, enquanto dormia.

Mouhamad não pode ser encaminhado para uma penitenciária estadual, como a maioria dos presos, por que tem curso superior.

O DIÁRIO apurou que setores da PM estão sofrendo fortes pressões de pessoas ligadas ao esquema de desvio na saúde, com poder de gestão política no Estado, para que Mouhamad seja transferido para o CPE. Há informações de que o médico e empresário, no CPE, estaria livre de pressões e se livraria mais facilmente de uma delação premiada.

Há, também, informações de que houve um pedido para que fosse avaliada a possibilidade do aluguel de um contêiner, com ar-condicionado e outros privilégios para abrigar o médico. O alto comando da PM conseguiu, até ontem, negar os pedidos, mas as pressões são cada vez maiores.

De acordo com as investigações da PF, por meio do Instituto Novos Caminhos, o grupo criminoso driblava os procedimentos licitatórios do setor de Saúde estadual e contratava empresas prestadoras de serviços utilizadas para desviar valores a serem investidos no atendimento à população.

Somente nos últimos dois anos, o Instituto Novos Caminhos  recebeu R$ 220 milhões do governo estadual. O montante representa quase 25% do total de recursos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. O valor é bem maior do que o recebido, por exemplo, pelo Pronto-Socorro da Zona Leste, Dr. João Lúcio.

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