Greve ameaça fechar todas as agências bancárias de Manaus

Manaus – A diretoria do Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos Bancários do Amazonas (Seeb/AM) ameaça paralisar 100% das agências de Manaus, nesta segunda-feira. A estimativa de adesão total à greve, que hoje completa duas semanas, decorre após o fracasso da segunda rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na última quinta-feira, em São Paulo.

Na sexta-feira, 74% das 93 agencias de Manaus e 40% das 75 do interior estavam com o atendimento suspenso, informou a entidade. No total, 2,4 mil bancários da capital amazonense aderiram à greve. “A adesão aumenta a cada dia e, com a Fenaban insistindo em oferecer proposta sem ganho real, segunda-feira devemos fechar todas as agências de Manaus”, informou o vice-presidente do Seeb/AM, Antônio Mardônio.

Na última sexta-feira, alguns clientes ainda tentavam nas poucas agências abertas em Manaus conseguir ser atendidos pelos caixas. O funcionário público Josias Brasil tentava pela quarta vez sacar o salário em uma agência no  Boulevard Álvaro Maia, mas foi informado que somente no bairro Aleixo, zona centro-sul de Manaus, a agência estava atendendo, “Vou correr pra lá antes que eu não consiga mais sacar meu dinheiro”, disse.

A universitária Suelen Martins recorreu à lotérica para pagar algumas contas, uma forma de driblar a greve dos bancos. “A gente tenta recorrer aos outros canais, mas as filas das lotéricas, por exemplo, estão enormes, assim como nos caixas eletrônicos”, contou.

O carreteiro Manoel Lopes Coutinho teve sorte. Morando em Manaus há pouco mais de um ano, ele contou que teve três cartões roubados há dois meses e aguardava a chegada da segunda via para conseguir se manter. “Tive que pedir dinheiro emprestado ao vizinho para poder comer”, contou. Um funcionário aceitou procurar o cartão de Manoel, que chorava na porta da agência no Centro, e entregou ao carreteiro a tempo dele sacar no caixa eletrônico a quantia que precisava.

Os bancários pedem a reposição da inflação que é de 9,62% e ganho real. A última proposta da Fenaban é de 7% e abono de R$ 3,3 mil. A greve continua por tempo indeterminado.

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