Julgamento dos acusados de matar a menina Grazielly começa nesta terça-feira

Procedimento deve durar pelo menos dois dias, segundo o TJAM. Pai da criança é acusado de cometer o crime, em Autazes, para não pagar R$ 100 de pensão alimentícia

Gisele Rodrigues

Manaus – O julgamento do pai, madrasta e tio da menina Grazielly dos Santos Costa, de 9 anos, acusados de matar a criança, em 2015, vai contar com 35 testemunhas e deve durar pelo menos dois dias, segundo estimativa do Tribunal de Justiça do Estado (TJAM). O caso começou a ser julgado nesta terça-feira (16), no município de Autazes (distante 118 quilômetros de Manaus).

O pai da criança, Gilbervan de Jesus Elói, é um dos acusados de asfixiar a própria filha até a morte, para não ter que pagar a pensão alimentícia de R$ 100, segundo apurou o inquérito policial.

Réus no processo estão presos desde a época do crime, em Manaus (Foto: Reinaldo Okita/Arquivo)

Além do pai da criança, a madrasta de Grazielly, Gilmara França de Souza, e o tia da criança, Gilbermilson de Jesus Elói, vão a júri popular. O julgamento, que já foi adiado uma vez, que estava marcado para às 9h desta terça-feira, teve início às 11h.

Segundo o inquérito policial, Grazielly havia desaparecido a caminho da escola e foi levada em um carro, conforme declarações dos familiares, na ocasião. Ela foi encontrada morta, dois dias depois, no Ramal Timbiras, em um matagal, naquele município.

O carro usado no rapto seria de propriedade de Gilbervan e os dois outros ocupantes do veículo seriam Gilbernilson e Gilmara, conforme a denúncia. Os três negam a autoria do crime. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) comprovou a morte por asfixia.

O julgamento, segundo o TJAM, começa com a leitura da denúncia, após o procedimento os réus acompanham as testemunhas de acusação e defesa, no Fórum Desembargador Aristófanes Bezerra de Castro. Ao todo, as 35 testemunhas devem ser ouvidas pelo júri, sendo 18 de acusação e 17 de defesa.

O julgamento já chegou a ser adiado uma vez, no final do ano passado. Conforme o TJAM, duas testemunhas estavam fora de Autazes, em tratamento de saúde, e a defesa dos acusados não abriu mão da participação delas na sessão de julgamento marcada para esta terça, o que motivou o adiamento.

População revoltada em Autazes

Os moradores do município tentaram invadir a delegacia da cidade, em 2015, na tentativa de linchar os acusados. Após a tentativa, um helicóptero da Secretaria de Segurança Pública (SSP), com uma equipe do Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera), foi enviado à cidade para realizar a escolta dos suspeitos para a capital, assim que foram concluídos os depoimentos.

Os três suspeitos permaneceram presos no Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM), enquanto aguardavam julgamento. Nesta manhã, conforme a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Gilmara, Gilbermilson e Gilbervan foram escoltados para Autazes para acompanhar o julgamento.

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