Em mais de 12h de chuva, Manaus tem desabamentos e garoto morto

A Defesa Civil Municipal informou que atendeu sete ocorrências, em Manaus. A chuva, que se iniciou na noite de quarta e durou até a tarde de ontem, foi a maior deste ano. A capital teve deslizamentos, desabamentos e árvore tombada

Édria Caroline, Filipe Távora e Gisele Rodrigues contato@jornaldezminutos.com.br

As mais de 12 horas de chuva registradas em Manaus resultaram em desabamentos, árvores tombadas e até na morte de um adolescente, soterrado. A Defesa Civil Municipal informou que atendeu sete ocorrências. A chuva, que se iniciou na noite de quarta-feira e durou até a tarde de ontem, foi a maior deste ano.

No Jorge Teixeira 3, na zona leste, uma árvore tombou sobre uma casa. Na Comunidade Fazendinha 2, no bairro Cidade Nova, zona norte, houve o desabamento de uma moradia mista. Já no Novo Israel 2, também na zona norte, um muro desabou. De acordo com a Defesa Civil, foi constatado o risco de deslizamento de um barranco, no Monte das Oliveiras, zona norte. Em todos os casos, não houve vítimas.

Além desses acidentes, houve dois casos de deslizamento de barranco, no Nova Cidade, na zona norte, e no Nova Vitória, zona leste, ambas sem vítimas.

O acidente mais grave ocorreu no bairro Colônia Terra Nova 3, na zona norte, onde a parede de uma casa desabou em cima do estudante Alisson da Silva Lima, 14, na Avenida Serra Alegre. O Corpo de Bombeiros atendeu a ocorrência e uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local.

No momento do acidente, estavam na casa o pai do adolescente e outros dois irmãos dele, de 4 e 5 anos. A mãe de Alisson sai todos os dias, de madrugada, para vender café no Centro de Manaus. O pai do garoto não foi localizado, pois, segundo vizinhos, tinha ido ao Centro avisar a mãe de Alisson sobre o ocorrido.

Emocionado, o encarregado de obras João Batista de Lima, 48, falou sobre a morte do garoto, que era seu vizinho, e contou que foi avisado pela mulher sobre o acidente. “Quando ela saiu para trabalhar, viu um monte de gente tentando desenterrar ele. Eu saí de casa para ajudar, mas já tinham tirado o barro de cima dele. Eu vi esse menino crescer. Quando eu vi ele no chão, morto, eu entrei em desespero”, relatou.

Amigo de Alisson, o também estudante Wilson Gomes Pereira Junior, 18, ajudou a tirar o adolescente do local. “O meu pai me acordou, umas 5h, para eu ir ajudar a desenterrar ele. Aí vieram mais uns vizinhos e fomos tirando o barro com algumas pás. Quando avistamos a mão dele, começamos a cavar com a mão. Nessa hora, ele ainda respirou forte, mas quando deitamos ele aqui na rua, no chão, ele já não respirava mais”, contou.

O secretário-executivo de Proteção e Defesa Civil, Cláudio Belém, explicou que o desabamento da parede ocorreu devido a sacos de areia que foram postos próximos ao local e atrapalharam o escoamento das águas, que se acumularam na calçada e ocasionaram a queda da parede. “Essa água subiu pra cima da calçada, encharcou todo esse material, que gerou um peso sobre a parede, que desabou sobre o jovem, que dormia no quarto ao lado”, explicou.

De acordo com Belém, a casa foi interditada pela Defesa Civil e a família foi encaminhada ao atendimento da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasc). “A casa da esquerda não corre risco de desabamento, já a da direita corre um certo risco porque essa água que infiltrou fez uma erosão na parte da pista de rolamento. Então, isso é preocupante. A Secretaria Municipal de Infraestrutura também já está aqui para avaliar e sanar a situação dessa erosão, para que não afete, também, a residência do lado direito”, explicou o titular da Defesa Civil.

Maior chuva de 2019

Foi a maior chuva de 2019, em volume. Em mais de 12 horas, foram registrados 74 milímetros de precipitação, em média, pelo Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil (Inmet) e pelos pluviômetros instalados pela Defesa Civil Municipal, em diferentes zonas da capital. As zonas mais afetadas foram a leste, com 88 milímetros, e a norte, com 82 milímetros.

Nos primeiros dez dias do ano, o Inmet registrou volume de chuva na casa dos 77 milímetros, cerca de 30% de todo o esperado para o mês de janeiro. A época é chamada pelos meteorologistas de inverno amazônico.

A quantidade de chuva nos primeiros dez dias deste ano está um pouco acima da registrada no mesmo período do ano passado, segundo o Inmet. Em 2018, o volume de precipitação, de acordo com o órgão, foi de 60 milímetros, contra 77 deste ano.

O acidente mais grave ocorreu no Terra Nova, onde a parede de uma casa desabou em cima de um adolescente. (Foto: Sandro Pereira)

 

 

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