Após tragédia, órgãos prometem fiscalizar barragens no Estado

Segundo o Ipaam, em todo o Amazonas, existem 29 barragens de alto potencial. A maioria delas com atividades de criação de peixes

Sigrid Avelino contato@jornaldezminutos.com.br

Desde a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, na última sexta-feira, discussões foram levantadas sobre as condições das barragens existentes em todo o País e, no Amazonas, não seria diferente. Na manhã de ontem, uma reunião na sede do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) revelou a situação das barragens do Estado. De antemão, foi anunciada uma visita à Mineração Taboca, responsável pela extração de cassiterita (óxido de estanho), nos dias 8 e 9 de fevereiro.

Em todo o Amazonas, de acordo com o órgão, existem 29 barragens consideradas de alto potencial. A maioria delas com atividades de piscicultura (criação de peixes). O Ipaam é o órgão responsável por fiscalizar e monitorar a situação das áreas.

“Todas essas áreas são monitoradas permanentemente e nós já temos a avaliação em tempo real. Eu consigo dizer, com os dados do Ipaam, por meio desse monitoramento, a situação de cada uma delas e o risco de cada uma”, disse Eduardo Taveira, titular da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

De acordo com o órgão, nas barragens de mineração, em sua maioria com concentração em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros ao norte de Manaus), o risco é apontado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Em relação à Hidrelétrica de Balbina, também no mesmo município, a responsabilidade é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Ipaam realiza fiscalizações e monitora a situação de risco.

Além disso, das dez barragens de minério no Amazonas, nove estão classificadas com nível médio e uma com alto poder de impacto. Caso essa barragem venha a se romper, ela não apresentaria danos à população, devido a características geográficas e de habitação, mas os danos ambientais seriam inestimáveis.

“O risco que nós temos aqui é de fauna, impacto de fauna, impacto na flora, impacto nos recursos subterrâneos, nos recursos superficiais. É óbvio que a gente vai ter impacto porque se trata de um rejeito contaminado”, explicou Juliano Valente, diretor-presidente do Ipaam.

Porém, segundo um estudo realizado por um perito e especialista em auditoria e gestão ambiental, as barragens de Presidente Figueiredo apresentavam alto risco de rompimento. Conforme a Sema, os dados estão relacionados somente até 2014.

“Dez delas, até 2014, eram consideradas de alto risco. Apenas uma delas ainda está nessa situação. A outra de alto risco é de responsabilidade da Aneel, que é a barragem Hidrelétrica de Balbina. Um relatório técnico do Ipaam aferindo o devido controle deve ser feito para que ela continue segura”, disse Taveira.

O governo do Estado anunciou um recurso de R$ 5 milhões para modernizar o monitoramento das barragens.

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