Amazonas é o 2º do Norte em homicídios de jovens até 19 anos

Pesquisa sobre o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2017, divulgada pela Fundação Abrinq, mostra que o índice do Amazonas cresceu 1.800% em 25 na faixa etária até 19 anos

Gisele Rodrigues

Manaus – Em cada dez homicídios registrados no Amazonas, quase dois (1,7) são de crianças ou adolescentes. O número faz parte da pesquisa sobre o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2017, divulgada pela Fundação Abrinq, na terça-feira (12). Os dados mostraram que, em 25 anos, os homicídios na faixa etária de até 19 anos cresceram no Estado. A pesquisa mostrou que, em 1990, 72 jovens morreram por homicídio no Estado. Em 2015, esse número foi para 257. Os anos de 2011 e 2012 registram os maiores número, 278 e 290, respectivamente.

O tráfico de drogas é o principal motivo das mortes infanto-juvenis, aponta o delegado Juan Valério (Foto: Reinaldo Okita)

No Amazonas, o envolvimento com o tráfico de drogas é o principal motivo homicídios infanto-juvenis, segundo informou o delegado da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) do Amazonas, Juan Valério. De acordo com ele, os jovens estão muitas vezes à frente do tráfico de drogas e, na disputa de território, são mortos por rivais no crime. “O motivo é o envolvimento com o tráfico de drogas, aqui, mas não só no Amazonas. Isso acontece pelo Brasil inteiro”, ponderou o delegado.

O Amazonas foi o segundo na Região Norte. O Pará fechou o ano de 2015 com 608 homicídios na faixa de até 19 anos, ocupando o 1º lugar. Já em Rondônia a pesquisa apontou 81 assassinatos entre crianças e adolescentes.

Valério afirmou que a prática de pistolagem e a dívida com o tráfico de drogas também têm encurtado a vida dos jovens do Estado. “Tem aumento sim desses meninos, mas a maioria a partir dos 18 anos. As vezes tem a dívida com o tráfico e aquele traficante mata para servir de exemplo”, pontuou.

De 2014 para o ano seguinte, o número absoluto de assassinatos cresceu. O levantamento apontou que foram 52 mortes a mais de um ano para o outro. O ingresso mais jovem na criminalidade, para o delegado, também é associado a ausência de políticas públicas voltadas para as crianças e adolescentes.

Casos

Contrariando a visão da polícia, a família do estudante Rômulo Caio Lima Miquiles, 16, encontrado morto, dentro de uma mala, no loteamento João Paulo, no Jorge Teixeira, 3, no final do mês passado, acredita que o assassinato não esteja ligado ao tráfico. Segundo, informações da família, o adolescente foi sequestrado após ser saído de casa, na Travessa São Bento, onde Jonathas da Silva Pimentel, 31, foi executado horas depois.

Equipes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) informaram que o adolescentes foi morto por asfixia. Segundo as investigações, o crime foi praticado com uma toalha, que foi encontrada junto com o corpo dentro da mala, que estava amarrada com fios elétricos.

No último dia 27, os familiares do adolescente, que estiveram no Instituto Médico Legal (IML) informaram que o rapaz tinha saído de casa para ir a um mercadinho, quando foi sequestrado e que o adolescente não era envolvido com o tráfico e não têm suspeitas da motivação para a morte.

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