Álcool com direção: Mais de R$ 8 milhões em multas

De acordo com o Detran-AM, o número de motoristas alcoolizados no trânsito do Estado cresceu 18%, no primeiro semestre deste ano. Quantidade de mortes no trânsito subiu 10% no período

Gisele Rodrigues/redacao@diarioam.com.br

Manaus – Somente no primeiro semestre deste ano, segundo informações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), quase 3 mil motoristas foram flagrados dirigindo sob efeito de álcool, gerando cerca de R$ 8 milhões em arrecadação com as infrações. Mesmo com o reajuste do valor da infração, que passou, em novembro do ano passado, de R$ 1.915 para R$ 2.934,70, o número de motoristas bêbados no trânsito do Estado cresceu 18%, segundo o Detran.

Divisão Valores arrecadados são partilhados entre o Governo do Estado, Federal, e para o Dpvat. Foto: Divulgação/Detran

O aumento do valor na quantidade de multas não foi suficiente para reduzir o total de mortes no trânsito. Na capital, os acidentes fatais somaram 114 mortes neste primeiro semestre, contra 103 no mesmo período do ano passado. O aumento de 10% em vítimas fatais foi na capital do Estado, mas o municípios do interior do Amazonas, que, no período, registraram 43 mortes em 2017, também tiveram um aumento de 5% neste ano, segundo o Detran.

A cada dia, em média, pelo menos 16 condutores foram pegos bebendo e dirigindo no Estado nesses primeiros seis meses. A média alta também fez aumentar a estimativa de arrecadação com multas de trânsito desta natureza. Conforme o Detran, o órgão não tem acesso aos valores pagos pelos motoristas, mas a estimativa é que, se cada um dos 2.982 motoristas tiver pago a infração de trânsito, o Estado deva recolher R$ 8,75 milhões com a Lei Seca.

Segundo o diretor-presidente do Detran, Leonel Feitoza, os valores arrecadados são partilhados entre o governo do Estado, federal e para o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat). O dinheiro repassado ao Estado, segundo Feitoza, serve entre outras coisas para financiar campanhas de conscientização. Em 2016, segundo o diretor, 850 mil pessoas em escolas, fábricas e órgãos públicos receberam as palestras do órgão.

“Na realidade, até pagar a multa acontece muita coisa, porque os motoristas têm diversos recursos, vai procrastinando. Muitos vão para justiça, muitos só pagam no período do licenciamento do veículo”, disse.

Para Feitoza, um maior reflexo seria gerado nas estatísticas de embriaguez ao volante se as leis fossem mais duras com o condutor. “Falta um endurecimento das leis de trânsito, eu como advogado, como defensor público, não vejo diferença entre uma pessoa que mata com arma de fogo e com um embriagado que mata no trânsito. Não vejo porque um crime de trânsito ser culposo ao invés de doloso”, disse o diretor.

Conforme o diretor, nesses casos, as punições são transformadas em penas alternativas. “No máximo é uma prestação de serviços. E não deveria ser assim, ainda mais nesses casos de excesso de velocidade, de pega e principalmente com álcool. A lei deveria prever crime inafiançável e doloso”, criticou Feitoza.

Aumento da multa

Na avaliação de Feitoza, o aumento de 53% no valor da multa e possíveis reajustes futuros não devem influenciar no comportamento dos condutores. “Infelizmente não, não deve mudar. Porque mesmo com a multa custando quase R$ 3 mil, a gente teve recentemente um motorista que entrou em uma carreta, confessou que estava muito alcoolizado e disse que não viu a carreta. Como a pessoa não vê uma carreta? O poder público não pode mudar a consciência das pessoas. O poder público faz ações, instalou novos módulos de fiscalização na cidade. Mas ainda falta conscientização”, disse.

O valor da multa ainda é ignorado por motoristas no Estado, de acordo com o diretor. “Não é a questão do valor. Hoje, quando você se recusa a fazer o teste do bafômetro, a multa é multiplicada por 10 e mesmo assim muitas pessoas se recusam”, disse.

De janeiro a dezembro do ano passado, 344 indenizações por morte foram pagas, segundo os dados que integram o Boletim Estatístico da Seguradora Líder, responsável pelo benefício do Dpvat. Uma redução de 35 indenizações, em relação ao ano anterior, cerca de 9%. Os dados foram divulgados no final do primeiro semestre deste ano.

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